28 de março de 2008

Interatividade dos Editores de Texto

Esta é minha tentativa de participar da 3ª Ciranda de Textos: Jornalismo e Interatividade. Que é um "balaio" de textos produzidos acerca de um tema específico e produzido por jornalistas blogueiros. O projeto surgiu lá pelos "estrangeiros" com o nome de Carnival of Journalism. Aqui no Brasil, ele é articulado pelo Jornalistas da Web, e esta terceira edição tem como guia de leitura o Idéia de todos, blog da jornalista Flávia Garcia Reis (nenhum nepotismo envolvido, é bom que se diga. Segue a FAQ da Ciranda de Textos no Blog Meio Digital.




Interatividade dos Editores de Texto

Um bom editor de texto ainda é a melhor ferramenta para se fazer jornalismo nos dias de hoje. Seja lá em redações de impresso, agências, rádio, tv ou internet. Nada mais é preciso para se escrever uma notícia ou prover um conteúdo para leitores de qualquer veículo. Seja você jornalista ou programador, do que mais você necessita para garantir sua audiência? Um editor de imagens, um de áudio e outro de vídeo, você poderia responder. Tá, ok. Mas sou ainda dos que ainda acreditam que uma palavra vale mais do que mil imagens, se não em seu significado, ao menos no potencial argumentativo dessa.


Para um jornalista, nada mais é necessário do que um editor de texto, onde possa articular suas idéias, ordenar os fatos e construir informações para serem devoradas pelos seus leitores. Da mesma forma, um programador não necessidade de nada além de um editor de texto, e um compilador para seus testes, para desenvolver plataformas sobre as quais correrá o fluxo de informação( jornalista=>público ; público=>jornalista; jornalista=>jornalista ; público=>público> ), sobre o qual interagem diversos atores desta aldeiazinha.

Jornalismo para jornalistas

Jornalista é, e será sempre, aquele que provê informação. Aquele que observa o cotidiano da sua sociedade, interpretando os fatos que, por essência ou trabalho laborioso do jornalista, transforma-os em informações relevantes para as demais pessoas.

Nada me tira da cabeça a imagem estigmatizada do jornalista dentro de uma redação com luz de fim de tarde atrás de uma máquina de escrever, ou computador, com algumas pilhas de papel ao seu redor e suando para não ser decapitado pelo correr das prensas. Bem, acho que estou vendo filmes demais. Mas o que estou querendo dizer é que o jornalista trabalha para empacotar informação que ele colhe no dia-a-dia. Muito embora hoje em dia o seu leitor tenha possibilidades de interagir com ele, e somente jornalista, em nada interfere na informação que já foi veiculada. Servirá de parâmetro para uma próxima matéria, depois da percepção do profissional sobre como suas informações estão sendo interpretadas.

Desenvolvimento dos meios

No entanto, sabemos que a comunicação é diretamente determinada pelos suportes que a sociedade desenvolve. E, se o jornalista está trabalhando para uma empresa de Internet, ele precisa utilizar dos recursos que lhe são disponibilizados. A multimídia, os fóruns, chats, comentários, blogs, conteúdos colaborativos, redes de relacionamento e mundos virtuais são algumas dos recursos que devem ser explorados por profissionais do meio. Mas neste meio (veículo de comunicação on-line) não atuam apenas jornalistas. Programadores e gestores de comunicação em geral também trabalham para promover fluxo de informação aí. Desenvolvedor come alpiste jornalista é quem leva a fama. Digo, claro que o jornalista precisa pensar numa nova forma de conteúdo mais rico, mais interativo. E tem seus méritos por isso, quando o fizer, atualmente não tem nada. Mas quem projeta as possibilidades não é o jornalista, é o programador, horas a fio escrevendo linhas e linhas de código, no mesmo editor de texto que jornalistas usam pra adular seus patrões informar a sociedade.

Interatividade Social

Esses instigantes suportes têm se aperfeiçoado muuuito nas últimas décadas. Ao ponto de permitir que cada vez mais pessoas exponham suas visões de mundo. Um estado polifônico onde as pessoas podem interagir, refletir e intervir sobre os fatos. Sou partidário dos que acreditam numa mobilização social muito mais forte com "essa história de Internet". Mas a interação ocorre apenas no nível da publicização das opiniões, do questionamento, da proposição de novas idéias, não sobre informações jornalísticas. Estas permanecem incólumes, tal qual o sujeito que a fez, a veiculou. Não há intervenção sobre elas, a ninguém interessa meter o bedelho sobre elas. Por mais que se discorde, ou que se deseje acrescentar algo, o interesse reside em saber como aquele sujeito, ou sua empresa, pela credibilidade que tenham conquistado, pensam sobre determinado fato social.

Aquilo que é produzido pelo jornalista não permite intervenções, pois é um recorte pessoal. A amplitude, seja de provocação ou de convencimento, desses recortes é que cabe ao jornalista desenvolver.As interações propriamente ditas são promovidas por profissionais ligados ao campo geral comunicação. Da qual o jornalista foi o grande representante durante muito tempo, mas que passou a concorrer com os programadores quando a comunicação passou a ser fortemente mediada por computadores. O que não impede que o jornalista procure se capacitar para melhor explorar as potencialidades deste novo meio, mas aí atuarão enquanto comunicadores, provendo formas de interação, não apenas como jornalistas.

Perspectivas

Para os que gostam e desejam ser jornalistas, estritamente jornalistas, desconsiderem a interatividade de seus trabalhos. Seus esforços devem concentrar-se sobre a melhor forma de transformar um fato em informação de interesse público usando o bom senso e um simples editor de textos. Para os que desejam ser comunicadores, explorando as possibilidades que a Internet lhes põem a mão, e as que ainda estão por vir, conheçam-na desde sua estrutura física (suas redes e nós) até seus protocolos e linguagens. O uso da lógica e de um editor de textos facilitarão seu trabalho. Ah! A criatividade. Sempre muito bem vinda em qualquer lugar.

10 comentários:

Ceila Santos disse...

Boa, Garcia, agora segue minhas dúvidas: isso significa que para quem quer ser comunicador precisa aprender HTML? Acha que existe o perfil de comunicador que não sabe como conseguiu ter o google apps nem o RSS na sua tela? O que é primordial quando se refere ao mundo técnico para quem é jornalista e deseja ser comunicador? ou seja, tem que aprender o quê?

Menina de óculos disse...

Muito bom texto kiko, mas eu discodo de uma coisa. Acho que o leitor pode interferir sim no que já foi veiculado. Acredito que boas interferências podem mudar inclusive o olhar do jornalista sobre o cotidiano. E, na pior das hipóteses, mesmo quando isso não acontece, só o fato do leitor achar que está interagindo, faz com ele se sinta parte das redes de comunicação.

D. Garcia disse...

Pois é sujeita de óculos. Deixa eu dar uma de presidente da República e fazer uma metáfora (ouseria comparação?sei lá):

Se você jogar uma bola pra cima, bem no alto, eu não poderia alcançá-la ou desviar da sua trajetória até que ela chegasse ao chão novamente. a informação fica lá "floating" sendo vista aqui e ali, mas sem que ninguém possa alterá-la. mas eis que surgem as extensões do homem, hahaaa. e os programadores(nos quais estou tentando me incluir) para expandir cada vez mais nosso potencial interativo. hoje em dia, extremamente limitado.

Menina de óculos disse...

Mas, tio, um dia a bola vai cair e qd isso acontecer alguma coisa será feita com ela, o mesmo acontece com a interatividade. Pode até demorar, mas é preciso reagir a ela. Próximo assunto que tô ficando exausta.

kkkkkkkkkkkkkkk

D. Garcia disse...

Vamos à Ceila agora. rsrs
Gostei de o texto ter causado algumas provocações em vc, vamos lá.

quem quer comunicar profissionalmente na internet precisa saber como ela manipula a informação. HTML? Fundamental. E muito mais.

O sujeito que não sabe como conseguiu ter o google apps nemo RSS na sua tela, usa a Internet como apoio, não como alvo, do seu trabalho. é possível e extremamente válido

minha falta de formação e de experiência me impedem de indicar o que é ou não primordial para a formação de um profissional comunicação digital. perspicácia e criatividade são elementos fundamentais. mas conhecer o meio(a rede em si) e uma ou outra linguagem que ajude a dispor conteúdo também ajuda.

só "a nível de" adendo, eu procuro sempre associar o conceito de Interatividade ao de Intervenção, facilita um pouco mais a entender as coisas. você só interage quando intervém.

e-braços

brunocalixto disse...

Olá Garcia,
Seu texto me deixou uma dúvida. você diz que acredita numa "mobilização social muito forte" na internet, mas ao mesmo tempo credita toda a capacidade de interação a um programa criado por um especialista em programação. Só que é preciso uma estrutura de empresa (mesmo que pequena) para contratar programadores e produzir um bom sistema de edição. Como é que fica essa mobilização social?

Abs

D. Garcia disse...

Blz, Bruno,

de fato essa mobilização social só ocorre sobre um ambiente adequado, com recursos e facilidades que permitam que as pessoas interajam. Se tal ambiente vai ser criado por um só programador, ou por vários de uma empresa, em nada modifica o resultado final.
Não acredito que apenas empresas sejam capazees de desenvolver bons sistemas. O movimento opensource tá aí como prova maior do contrário. Coletivos de programadores de faculdades ou com interesses comuns se formam através do mundo (especialmente os linuxers) contribuindo para o surgimento de novas e melhoria dos projetos já criados.
A mobilização a que me referi era dos usuários desse ambiente após ele já ter sido criado e se inserido na "vida virtual" das pessoas. O jornalista, nesse embróglio deve, na minha opinão, atuar como gerenciador da comunicação necessária ao usuário e desenvolvida pelos programadores.
Espero ter esclarecido algo, ou piorado ainda mais a situação. rsrs

e-braços.

Menina de óculos disse...

Eu tbm quero e-abraços..pq eu só ganho Cheiro (e ainda escrito errado!!!). Ah, não!!!! Sequelei!

D. Garcia disse...

vá aperriar um doido, fran. =P

Thiago Falcão disse...

rapaz,
pra mim, sociedade do espetáculo responde tudo isso aih. eu nao sou muito de acreditar em palavras, embora ache elas muito mais bonitas - ser apaixonado por um ideal romantico eh diferente de ser chato e analitico.

mas um bom texto, kiko. continua aih.